A vida é uma peça sem ensaios

“Não há forma nenhuma de se verificar qual das decisões é melhor porque não há comparação possível. Tudo se vive imediatamente pela primeira vez sem preparação. Como se um actor entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É o que faz com que a vida pareça sempre um ‘esquisso’. Mas nem mesmo ‘esquisso’ é a palavra certa, porque um esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso da nossa vida é, não é esquisso de nada, é um esboço sem quadro.”

Milan Kundera in “A Insustentável Leveza do Ser”

PA

Não sei (um poema de Cora Coralina, perfeito para os nossos dias)

Não sei…

se a vida é curta ou longa demais pra nós,

mas sei que nada do que vivemos

tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe,

braço que envolve,

palavra que conforta,

silêncio que respeita,

alegria que contagia,

lágrima que corre,

olhar que acaricia,

desejo que sacia,

amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:

é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela

não seja nem curta,

nem longa demais,

Mas que seja intensa,

verdadeira e pura…

enquanto durar.

Cora Coralina

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A história de como a Humanidade se reinventou em 9 fotografias

Aulas de Yoga em Toronto, Canadá. Foto: Carlos Osorio/Reuters daqui
Ir ao estádio em Madrid. Foto de Manu Fernandez/AP
Um concerto drive in em Dubercen, Hungria. Foto de Zsolt Czegledi/EPA-EFE/Shutterstock
Uma ida à praia de La Grande-Motte, França. Foto de Clement Mahoudeau/AFP
Para manter a ideia de restaurante cheio, tendo que reduzir 50% da sua ocupação, o The Inn, em Little Washington (EUA) utiliza manequins. Foto de Kevin Lamarque/Reuters
Cada um na sua bola, no parque Domino, em Nova Iorque. Foto de Johannes Eisele/AFP/Getty Images
Andar de elevador em 2020. World Trade Center, no Sri Lanka. Foto de Dinuka Liyanawatte/Reuters
Almoçar numa bolha, em Paris. Foto de Thibault Camus/AP
Quando se tornou normal medir a febre à porta de uma loja… Milão, Itália. Foto de Miguel Medina/AFP/Getty Images

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Não és !

” Não és a tua idade

Nem o tamanho das roupas que vestes

Não és um peso

Ou a cor do teu cabelo

Não és teu nome

Ou as covinhas nas bochechas

És todos os livros que lês

E todas as palavras que dizes

És a tua voz rouca quando acordas

E os sorrisos que tentas esconder

És a doçura da tua gargalhada

E cada lágrima que choraste

És as músicas que cantas alto

Quando sabes que estás sozinha

És os lugares onde estiveste

E o local a que chamas de lar

És as coisas em que acreditas

E as pessoas que amas

És as fotos do teu quarto

E o futuro que sonhas

És feita de tanta beleza

Mas parece que esqueceste

Quando decidiste definir-te

Por todas as coisas que não és.”

Adaptação minha do Poema ” You are not” de Erin Hanson

PA

Ilustração Simone Masson

35 anos de “Regresso ao Futuro”

Este sábado fez 35 anos a saga que mais me fez sonhar em criança. A trilogia que mais vi e que mais me entusiasmava e fazia sonhar.

Era fácil simpatizar com o Marty, imaginar que em 2015 todos teríamos skates e carros voadores e querer um amigo louco como o Doc. enquanto estava pregada à TV a ver a VHS que tinha trazido do clube de vídeo.

Quem não acreditava que em 2015 poderíamos viajar no tempo? O que, de todo o modo, seria mais plausível, naquela altura, do que imaginar que, em 2020, o Mundo fecharia portas por causa de um morcego ou de um pangolim…

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Julho e a nova realidade

Com a chegada de Julho já percebemos que a realidade foi definitivamente abalroada pela ficção.

Embora alguns ainda tentem ignorar o elefante na sala, garantindo que fazem e vão continuar a fazer a vida como faziam, para a maioria de nós, seres pensantes e com preocupações sociais, isso não existe. E, como tal, estamos a adaptar-nos à nossa nova realidade e a perceber que não sabemos por quanto tempo ela irá durar.

Sim, porque apesar de as festas e festivais terem sido adiados para o ano, sabemos que, na prática, ninguém faz a mínima ideia de quando voltará a ser possível sentirmo-nos seguros no meio de uma multidão, andarmos aos beijinhos uns aos outros ou dar um abraço a um amigo que encontramos na rua.

A verdade é que, se Maio nos trouxe a esperança do regresso e Junho a certeza de que não podemos viver como vivíamos em Janeiro, Julho vem com a convicção de que temos de nos adaptar e seguir em frente.

PA

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Social Media Day

No dia das Redes Sociais lembremo-nos do essencial: nem tudo o que parece é!

Por vezes nem são precisas grandes produções…
É preciso ter cuidado com os reflexos
Fica estranho se usarmos sempre a mesma nuvem
Este Youtuber fingiu ser multimilionário durante uma semana e, para seu espanto, as pessoas caíram no seu embuste.
Esta moça ficou famosa por simular uma viagem a Bali numa visita …. ao IKEA

PA

120 anos de Principezinho

Hoje, 29 de Junho de 2020 é a data dos 120 anos de nascimento de Antoine de Saint-Exupéry, autor de “Principezinho”, uma das obras mais traduzida e mais vendida em todo o Mundo.

Uma história linda, sobre as coisas mais importantes da vida. Esta é um dos meus excertos favoritos:

“E foi então que apareceu a raposa:

__Bom dia,disse a raposa.
__Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada. 

_Eu estou aqui,disse a voz,debaixo da macieira…
__Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
__Sou uma raposa, disse a raposa.
__Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
__Eu não posso brincar contigo,disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah!desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão,acrescentou:
__Que quer dizer “cativar”?
__Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
__Procuro os homens,disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?

__Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incómodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem.Tu procuras galinhas?
__Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
__É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”.
__Criar laços?
__ Exactamente, disse a raposa.Tu não és ainda para mim senão um menino inteiramente igual a cem mil outros meninos. E eu não tenho necessid
ade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

__Começo a compreender, disse o principezinho…Existe uma flor…eu creio que ela me cativou…
__É possível,disse a raposa.Vê-se tanta coisa na Terra…
__Oh! Não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom.E galinhas?

__Também não.
__Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia:
__A minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens caçam-me. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso aborreço-me um pouco.Mas se tu me cativas, a minha vida será como que cheia de sol.Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos
outros. Os outros passos fazem-me entrar debaixo da terra.Os teus me chamarão para fora da toca,como se fosse música.
E depois,olha! Vês lá longe,os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me
tiveres cativado. O trigo,que é dourado, fará lembrar-me de ti.E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor…cativa-me!disse ela.

__Bem quisera,disse o principezinho,mas eu não tenho muito tempo.Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
__A gente só conhece bem as coisas que cativou,disse a raposa.Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.Compram tudo pronto nas lojas.Mas como não existem lojas de amigos,os homens não têm mais
amigos.Se tu queres um amigo,cativa-me!
__Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.

__É preciso ser paciente,respondeu a raposa.Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim,assim,na relva.Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada.A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.Mas,cada dia,te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
__Teria sido melhor voltares à mesma hora,disse a raposa.Se tu vens,por exemplo,às quatro da tarde,desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então,estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade
!”

Antoine de Saint-Exupéry in “O Pequeno Príncipe”

PA

Sobre o Verão

Também para ti chegará o Verão, é apenas uma questão de estações e de tempo. Ou de pessoas.” in Odisseia, de Homero

PA

Andar contra o vento

Tantas vezes somos forçados a recuar. Tantas vezes andamos para a frente e vem a vida, essa danada, e nos empurra para trás outra vez.

E, então, parece que caminhamos no meio da ventania, a tentar romper o vento, com todas as nossas forças, até que a tempestade leva a melhor e temos de nos abrigar. Não para esperar que passe, mas para recuperar energia e voltar lá para o meio. Dar mais um passo e mais outro, mesmo que nos custe alguns recuos.

Porque com as caminhadas difíceis aprendemos que com dois passos para frente e um para trás ainda estamos a avançar.

PA

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