A metáfora da Carpa Koi

Há uma bonita metáfora empresarial que diz que as carpas japonesas tem uma capacidade natural de crescer de acordo com o tamanho do ambiente.

Se estiverem num pequeno tanque, elas não passarão de cinco ou sete centímetros. Mas se colocadas num lago, podem atingir três vezes esse tamanho.

Do mesmo modo, também, as pessoas tendem a crescer de acordo com o ambiente onde vivem e interagem. Mas há uma grande diferença: enquanto as carpas são obrigadas a aceitar os limites do seu mundo, nós somos livres para determinar as nossas fronteiras. Se temos consciência de que somos peixes maiores, ao invés de nos adaptarmos ao tamanho do nosso “tanque”, devemos lançar-nos aos grandes lagos, onde poderemos ter hipóteses de crescer e de nos desenvolvermos verdadeiramente.

É o que eu diria a alguém que estivesse passando por isso, se essa pessoa me pedisse um conselho.

É o que estou dizendo e tentando ouvir de mim mesma hoje. Eu não sou uma carpa. Eu sou um peixe maior.

E, ao puxarem o meu tapete, podem, na verdade, ter-me tirado de um tanque limitado, mandando-me para um grande lago.

(não localizei a autoria do texto)

PA.

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Todos somos vários

Eu sou vários! Há multidões em mim. Na mesa da minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles.

Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Nunca saberás com quem estás sentado ou quanto tempo permanecerás com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado, eu te entregarei, pelo menos, um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evita ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia descubro-me, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ousa conquistar a ti mesmo.

Nietzsche em “A Gaia Ciência”

PA.

Da pandemia da desumanidade

Já não sei há quanto tempo deixei de ver os telejornais ou de consumir notícias. Seguramente há uns bons meses.

Há uma total desadequação entre a realidade e o tic tac constante dos números que nos entra pelos ouvidos dentro, enquanto fazemos coisas corriqueiras, como comer, trabalhar ou apanhar sol na varanda.

São números a toda a hora, números de infectados, de mortos, de vacinados, de internados, de curados, de camas, de ventiladores. Números e gráficos: enormes gráficos cheios de cores, com subidas e descidas de curvas intermináveis. Cálculos gigantes e complicados, com fórmulas complexas, que nem sequer são explicadas (e tampouco são percebidas) e que, tantas vezes, servem apenas para legitimar um conhecimento que não existe sobre o futuro.

É curioso como nas tragédias há sempre uma tendência para os números, quase uma obsessão. Como se a matemática fosse a única coisa segura em tempos de incerteza.

E como se, de repente, tudo se resumisse a isso. Aos “números do dia”.

Mas não. Os números não chegam, nem são sequer adequados para comunicar a dimensão humana de uma pandemia.

Li há um tempo, já não me recordo onde, que passado pouco tempo a ouvirem falar de números, as pessoas se tornam imunes à informação que está a ser dada e deixam de perceber que cada número equivale a uma pessoa, uma vida, uma família. E, por isso, nada daquilo que ouvem ou lêem parece real, torna-se inócuo, aborrecido, mesmo de uma forma subconsciente.

Ontem, enquanto esperava a minha vez no supermercado, uma das senhoras à minha frente disse para outra “Viste os números de hoje? 60 mortos. Estamos a melhorar, hein?” A outra sorriu “amanhã ficamos nos 40-50

Nenhuma delas, tinha a mínima noção que estava a falar de pessoas. Eram números.

Eu conhecia um deles. Um homem que brincou comigo quando era criança. Um homem cuja partida deixou uma família desfeita. Parte de uma estatística, sem qualquer humanidade. Um número numa conversa de circunstância.

E ali, na fila do supermercado, eu percebi, mais uma vez, que “esta coisa do Covid” deixou a humanidade (ainda mais) desumana.

PA

Da felicidade

“A gente corre tanto atrás da felicidade sem perceber que ela está em nós todo o tempo. Felicidade é paz de espírito, é amar sem querer nada em troca, é sorrir pra natureza, é cantar pra dentro.”

Caio Augusto Leite

PA.

Daqui a pouco o ano termina

“Daqui a pouco o ano termina.

Finais de ano servem de balanço, de balança.

O coração faz retrospectiva, a memória guarda o que foi bom e tenta passar a perna na parte amarga. Não tem jeito: todo fim de ano é a mesma coisa. Uns riem, outros choram, alguns riem e choram.

O que importa no fim das contas é acumular experiências dentro da bagagem e ter a disposição e a força para seguir em frente. E viver uma vida mais leve, feliz e cheia de esperança.”

Clarissa Corrêa

PA

A Esperança no Ano Novo

Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
– Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
– Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
– O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA!

Mário Quintana

Natal 2020

Este Natal é, certamente, muito diferente dos Natais que vivemos até agora.

Há uma certa noção de Humanidade em pensarmos que um pouco por todo o Mundo será igual: restrições, regras, medidas, números, limite de pessoas, famílias divididas, viagens adiadas ou canceladas, fronteiras fechadas, vidas suspensas, abraços virtuais…

Este Natal é diferente, sim. E seguramente muito difícil para os que estão doentes, para os que perderam os seus entes queridos, para os que ficam sozinhos, para os que perderam o emprego e se vêem em situações económicas muito débeis. Esta Pandemia, além de mudar o Mundo, destruiu o mundo de muitos.

Para os demais, apesar de todos os pesares, o Natal mantém-se, talvez numa versão mais simples e menos festiva, mas se está lá o que é essencial, há todas as razões para agradecer.

Que nos foquemos no que é, verdadeiramente, importante.

Feliz Natal.

PA

Do que somos

Somos as histórias que ouvimos, os contos de fadas com que adormecemos quando éramos crianças, os livros que lemos, a música que ouvimos e as emoções que um quadro, uma estátua, um poema nos deram.

Tiziano Terzianos

Como eu já fui o Grinch…

#repost

Eu já fuji do Natal,  já tive de retirar alguém do Natal.  Já senti aversão ao Natal e tive medo da tristeza que esta época iria provocar em mim e ao meu redor.

Resumindo: eu já fui o Grinch.

O Natal não é só luzes,  árvores, presentes,  decorações e  música. O Natal é muito mais que isso: é família,  é amor, tradição, espírito, fé e alegria. É a “família toda à mesa“.

Naquele ano não suportava essa descrição – doíam-me os ouvidos de cada vez que a ouvia -, nem aguentava as conversas sobre os planos e a azáfama, não suportava o espírito e não suportava, sobretudo, o sofrimento que aquela cadeira vazia ia causar.

Para proteger a M. decidi que nesse ano não haveria Natal. Aliás, nunca mais haveria Natal. As decorações permaneceriam nas suas caixas, a árvore não veria a luz do dia,  não haveria prendas, para além dos anjinhos de Natal do Exército de Salvação, e iríamos para longe, logo no dia 23, para uma aldeia no meio do nada,  só nós. Íamos fugir do Natal.

E assim foi.

Mais ou menos.

Logo no primeiro dia travámos conhecimento com outra família de fugitivos,  também eles não imaginavam voltar a passar o Natal em casa, com uma cadeira vazia. E fomos encontrando outros e outros, todos a fugir do Natal, a tentar esquecer que era Natal ou a não ligar nenhuma ao Natal. Não éramos os únicos.

Isso tocou-me, mas não dei grande importância.

No dia 24 à noite fomos jantar. Olhei à minha volta e vi aquelas pessoas todas, uma sala cheia de gente, a viverem o seu Natal longe das suas casas, numa aldeia no meio de nenhures, sem árvores enfeitadas, sem presentes, sem decorações, muitas, provavelmente, tentando esquecer que era Natal. Olhei para a nossa mesa, para a minha pequena enorme família e percebi que o Natal estava ali. Tinha sempre estado ali.

Não precisávamos de mais nada, era Natal, como nos outros dias todos. E essa constatação abateu-se sobre mim com uma clareza brutal, como um sinal ou qualquer coisa assim. E eu não parava de pensar “como é nunca percebi isto?” enquanto escondia as lágrimas que me escorriam pela cara…

Eu tinha percebido o que era o Natal.

Saint Exupery ensinou-nos que “o essencial é invisível ao olhos”. Nessa noite eu percebi, nitidamente, como isso é verdade.

Tínhamos fugido do Natal,  mas só  escapáramos das luzes,  das prendas, da azáfama,  da árvore, dos enfeites e dos telefonemas e mensagens. Mas o mais importante tínhamos levado, sem perceber. O espírito do Natal estava ali. E estava na rua, no frio, estava na neve que caía e na enorme fogueira que começara a crepitar já próximo da meia noite.

PA.

Sobre recomeçar a ter esperança

“Pois bem, sabe o que eu espero, uma vez que recomeço a ter esperanças?

É que a família seja para si o que para mim é a natureza, os torrões de terra, a relva, o trigo amarelo, o camponês, ou seja, que encontre no seu amor pelas pessoas motivo não só para trabalhar mas com que se consolar e reerguer-se, quando necessário.

Van Gogh in “Cartas a Théo”

PA