Apontamentos de Primavera #2

Pensei desabafar acerca do agradável tempo primaveril que se tem feito sentir nos últimos dias. Talvez reclamando que isto já não é o que era ou que no meu tempo, era diferente. Primavera a chover desta maneira, onde é que já se viu isto?!

Depois percebi que não, que já no ano passado me queixei do mesmo. Se calhar vou mesmo ter de esperar mais umas semanas para poder voltar às minhas Birkenstock. Suspiro.

Mas nem tudo está igual ao ano passado. Pelo menos, o chefe actual é MUITO melhor! 😀

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J.

Gif daqui.

Ginásio: 5 aprendizagens

Uma das vantagens de trabalhar no centro de Lisboa é a acessibilidade a tudo. Como ao ginásio, por exemplo. Mesmo ao lado do meu escritório há um ginásio. Mesmo coladinho.

Provavelmente se eu tivesse de atravessar a avenida, nunca lá teria entrado, mas é mesmo ao lado e, por isso, em Janeiro, não encontrando desculpas suficientes, decidi inscrever-me.

Nestes dois meses de experiência de ginásio aprendi algumas coisas que vão além do número de minutos a pedalar para gastar as calorias de um pacote de gomas.

 5 coisas que aprendi no ginásio

 

  1.  As mulheres dominam

Há milhões de mulheres no ginásio. Mas milhões. Eu nem sei como é que elas cabem todas ali.

No balneário parecem uma horda infindável de soldados, armados de cremes e escovas, preparados para batalhar por um secador de cabelo ou pedaço de espelho.

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  1. As aulas de grupo

Há aulas de Zumba (estas já conhecia), há aulas de Bunda (não fazia ideia que existisse), há aulas para pedalar até cair, há aulas que parecem uma discoteca com luzes e microfones, há aulas com fitas penduradas no tecto, há aulas de tudo e para tudo.

Quando subo para o ginásio e passo pela sala de aulas de grupo com música altíssima, luzes coloridas a piscar e a treinadora a gritar ao microfone. Sempre que espreito lá para dentro, sinto-me a fazer a expressão facial idêntica à de trincar um limão.

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  1. O código de vestuário a seguir

De que ninguém me avisou antecipadamente, claro! Primeiro dia de ginásio, e J. apresenta-se de leggins velhas, ténis desbotados e t-shirt larga.

E claro, que era a ÚNICA vestida assim. Todos os restantes utilizadores vão impecavelmente vestidos, com modelitos de licra, justos e coordenados, ténis fluorescentes, telemóvel e phones. Maquilhadas e penteadas.

Simplesmente, não percebo.

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  1. As malas de viagem

Nos primeiros dias, via algumas mulheres a chegar com malas de viagem e pensava “devem ser pessoas que vieram / vão de viagem”

Mas não são, claro. Percebi depois que as malas de viagem são só A mala do ginásio. E que há quem traga, literalmente, tudo.

Champôs, condicionadores, esponjas, cremes, placas alisadoras, secadores, maquilhagem, toalhas, garrafas de água, batidos, tudo dentro da mala…e a roupa para vestir depois, pendurada num cabide.

hhhhh

  1. A roupa interior

Após dois meses de convívio com este universo de mulheres, que são milhentas, concluo que sou a única que não veste cuecas tanga.

Sinto-me excluída.

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J.

Gifs daqui.

Só que não: parte II

Será que me posso candidatar? (clicar no título a vermelho para ler a notícia)

“Jovens que não estudam nem trabalham vão receber 700 euros mensais de subsídios estatais”

Tenho uma ideia genial para empreender: eu fazia coisas, tipo trabalhar por exemplo, e em troca, atenção à inovação aqui subjacente, pagavam-me…dinheiro!

Só que não, novamente.

Não cumpro com os critérios exigidos para aceder a medidas de estímulo e apoio governamentais: eu trabalho. Pior, sempre trabalhei e ainda para agravar mais, sempre paguei os meus impostos e contribuições.

E cheguei ao ponto em que trabalho para, basicamente, pagar as contribuições e impostos que sustentam estas medidas.

Portanto, juventude necessitada de apoios porque não estuda nem trabalha, aceito donativos (em qualquer formato) como agradecimento pela minha contribuição à manutenção do vosso nível de vida.

De nada.

J.

Trabalhar para acabar com o desemprego: Só que não.

Não tenho conseguido escrever grande coisa porque tenho estado a trabalhar.

A trabalhar das 09 às 18 (quando corre bem), a trabalhar numa start up onde tudo é novo, a trabalhar num projecto muito giro e exigente, a trabalhar usando todos os neurónios que tenho e o treino que lhes dei ao longo dos anos.

Tenho trabalhado bastante o que me faz sentir bem, especialmente por saber que muito mais há para fazer e que o céu é o limite. Motivação em alta, equipa 5 estrelas, projecto aliciante. Tudo maravilhoso, portanto.

Até entrar a variável Segurança Social.

Para contextualizar, estive 5 anos a trabalhar como falso recibo verde, tive atividade fechada durante 9 meses e voltei a iniciar em janeiro último.

Eu tinha prometido a mim mesma que não voltaria a aceitar trabalhar como falso recibo verde mas o projeto era aliciante e a justificação da situação aceitável, por isso decidi aceitar.

Ok, já sabia que o valor era baixo e que as chatices com as Finanças e a SS iriam regressar mas pensei que estando bem informada, conseguiria gerir a situação.

Só que não, claro.

Antes de abrir atividade fui, propositadamente à SS perguntar em que escalão me enquadrariam. Fui duas vezes. Das duas vezes me disseram que, sendo um reinício, o escalão inicial seria o 0 (62 euros). Eu vi esta informação ser-me dada duas vezes com o meu perfil da SS aberto, ostentando as datas e valores da minha atividade passada. Duas vezes.

Abri atividade no início da minha colaboração com a empresa para cumprir com o meu dever e de forma honesta, deixar de receber o subsídio de desemprego na data em que realmente comecei a trabalhar (e não a data em que emitiria o primeiro recibo).

Acabei por ainda não ter nada faturado mas sabia que tinha de pagar na mesma a contribuição à SS referente ao mês de Janeiro e lá fui eu ao multibanco pronta para pagar os 62 euros.

Só que não.

Introduzo os dados, carrego OK e aparecem 248 euros para pagar. Espera lá que já houve engano.

Só que não.

Ligo para a linha de apoio e não, não houve engano nenhum. Enquadraram-me no 3° escalão, com base nos rendimentos de 2015.

Depois de mais dois telefonemas e uma visita à SS, ninguém é responsável por prestar informações erradas, eu não posso fazer nada a não ser pedir a redução para o escalão 1 e pagar, no mínimo e se tudo correr bem, dois meses de escalão 3. Parece menos mal, não é?

Só que não.

São 500 euros. Volto a referir que não faturei nada. Não faturo nada desde março de 2016. E tenho de pagar 500 euros. Parece impossível, um erro certamente!

Só que não.

Utilizam o que faturei há dois anos para decidir o que devo contribuir hoje. Dois anos depois. Dois anos em que quando precisei de usufruir das minhas contribuições à SS…Kaput. Dois anos é muito tempo e muita coisa muda.

Só que não.

Aparentemente, nalgumas coisas, nada muda mesmo. Esta merda de situação (não me esqueci de riscar ou substituir por asteriscos, é mesmo merda que quero dizer) continua a existir. Mudaram cores e ventos políticos mas as merdas, são as mesmas! Merdas que impedem as pessoas normais de ter uma vida normal, fácil de entender não é?

Só que não.

Dizer que o desemprego é um flagelo e que o importante é criar mais postos de trabalho é, basicamente, só uma ideia de merda. O flagelo são as faltas. A falta de condições. A falta de respeito pelo trabalho. A falta de respeito pelos trabalhadores. A falta de perspectiva.

Trabalho há muito. Há muito para fazer em Portugal. Devia ser um bom sinal.

Só que não.

Trabalhares como te é exigido, teres formação, alguns anos de experiência profissional, 20 cursos extra, falar fluentemente 3 línguas, ter experiência internacional, disponibilidade para full time, vender a alma ao diabo e mais horas extra pagas a “parece bem”, devia ser suficiente para teres, pelo menos, dinheiro para comeres e viveres normalmente. Sem grandes merdas.

Só que em Portugal não, mesmo.

J.

Hoje é dia dos…

Actos espontâneos de generosidade…

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Caso, ainda, não tenham praticado nenhum, aqui ficam algumas ideias, bastante simples ( todas gratuitas) para melhorar este mundo louco e (no fim do dia) a nossa própria vida:

  • Elogiar, sinceramente e sem graxismos (um bom trabalho, um bom look, uma boa ajuda, uma boa pessoa). Todos gostamos de nos sentir valorizados e quem sabe se não será o primeiro elogio que o nosso interlocutor recebe em muito tempo…
  • Ouvir, mesmo os mais chatos. Todos precisamos de alguém que, simplesmente, nos ouça, de vez em quando;
  • Agradecer, sempre e sinceramente, a quem lhe deu uma ajuda (a encontrar aquele chocolate no supermercado, a resolver aquele problema no trabalho, a ultrapassar um dia mais difícil, a ligar a um médico para arranjar uma consulta);
  • Partilhar aquele vídeo que valeu umas boas gargalhadas, para que outros também se possam rir;
  • Roubar uma gargalhada a alguém;
  • Telefonar a um amigo só para saber se está tudo bem;
  • Oferecer um café;
  • Segurar a porta ou o elevador para quem vem atrás de nós;
  • Mandar uma mensagem para aquela pessoa que sabemos que está a precisar de uma “forcinha”;
  • Fazer e oferecer um bolo a alguém;
  • Pôr um ponto final em conversas venenosas sobre outros;
  • Aprender a sermos generosos connosco (estamos a dar o nosso melhor, afinal).

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Usem a hashtag #rakweek2017 e visitem o site RAK, afinal, tal como os actos de generosidade, as boas ideias também devem ser partilhadas.

 

P.

Imagem daqui e daqui

E a amizade?  

O que é que se passa com a amizade? Se os amigos são tão importantes na nossa vida, como é que temos tão pouca vida para os amigos? Tudo Serve de desculpa: o trabalho, a família, o sono o sofá… habituamo-nos a adiar encontros cada vez com menos caracteres; conversamos com ecrãs, rimos com as teclas e fazemos likes para enganar a saudade. Mas entre um não posso e outro os grandes amigos vão se tornando estranhos, o que é estranho! As grandes amizades não pedem muito mas pedem manutenção. Pedem olhares, silêncios, sintonia, piadas que mais ninguém percebe; pedem tempo, mesmo que parece pouco, vai sempre parecer.

Não precisamos de mil amigos, precisamos de bons amigos, muito mais do que imaginamos. Va lá, liga-lhes e fura-lhes a agenda! Arranca-os da rotina, das desculpas, seja a que horas for! Se estiveres de pijama veste umas calças por cima, marca encontro no sitio do costume e façam o que sempre fizeram…nada. Tenham conversas que não levam a lado nenhum, contem as mesmas histórias de sempre mas estejam juntos! Está na altura de pousarmos o telefone e levantarmos o copo; se não puderes hoje vai amanhã, mas vai mesmo! Se a vida conspira contra a amizade, conspiremos juntos para a defender!

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Campanha Publicitária da SuperBock

Leva a amizade a sério

P.

Imagem daqui