A tradição já não é o que era

Nem nas Noivas de Santo António, nem em muitas outras coisas.

E ainda bem. Graças ao Santo António. E a todos os outros santinhos.

Ontem, quando vi isto em directo, fiquei meio horrorizada (com a constatação de que ainda há quem pense assim), meio divertida (com a perspectiva de que, como eu, a maioria das pessoas achasse graça ao ridículo da situação).

Dafuq

Num minuto e meio de reportagem a repórter consegue não só ter um momento menos feliz dizendo que “até há noivas que já são mães” (dramático, coisa que nunca houve noutros tempos, claro), escolher uma ex candidata a noiva de Santo António que não o chegou a ser, porque, vejam bem isto, não podia convidar toda a gente que queria e  culminar ao acertar na melhor espectadora para entrevistar.

Ora vejam:

https://www.rtp.pt/noticias/cultura/estamos-em-direto-dos-casamentos-de-santo-antonio_v1007557

Concordo com a senhora numa coisa. A inspecção médica. Só acho é que quem devia ser sujeito a inspecção médica (e psicológica) são as pessoas que em 2017 ainda pensam assim.

J.

 

A voz da minha consciência

O problema é a vozinha fininha que vem de dentro e que me incomoda até às unhas dos pés.

O problema é a espinha dorsal que me impede de olhar para o lado e assobiar. O problema é a consciência: a minha.

De que vale apregoarmos valores e princípios e depois ficarmos de braços cruzados quando nos atiram um dilema moral para o colo? Quem somos nós quando nos calamos perante uma injustiça? Quem sou eu quando me tento convencer que não tenho de fazer nada?

E sempre aquela frase na minha cabeça ” para que o mal triunfe é preciso que os homens de bem nada façam“.

Uma amiga foi assaltada há uns anos numa das ruas mais movimentadas de Lisboa. Para lhe arrancar a mala, um tipo empurrou-a, ela caiu por uma escada e ali ficou. De todas as pessoas que passaram por ela nenhuma lhe estendeu a mão, nenhuma se importou, todos lhe passaram ao lado. Teve de se levantar sozinha e, mal se podendo mexer, telefonar a pedir ajuda. De toda a experiência, foi isto que lhe foi mais dificil ultrapassar: a falta de humanidade.

E pensar que toda aquela malta que passou por cima dela, naquela tarde, se deitou à noite e adormeceu…

Eu não consigo adormecer sem que antes a minha consciência me diga: ” estás a falhar…e eu sei que tu sabes isso…”.

Hoje no carro levantei pus o volume da música no máximo, para ver se o som abafava a voz miúdinha da minha consciência. Não resultou.

Não consigo deixar de pensar que nos tornamos cúmplices das porcarias com que compactuamos. Seja quando deixamos que uma pessoa pontapeie um cão à nossa frente, quando viramos a cara perante um casal que se agride, quando passamos por cima de alguém que foi assaltado, quando nos calamos e deixamos que humilhem alguém à nossa frente? E o que isso faz de nós? O que isso faz de mim?

Como é que toda a gente dorme?

No fim do dia, a questão é simples: estou a borrifar-me que metam a pata na poça ou na lama, só não me obriguem a sujar-me também.

Sou responsável pelos meus erros, pelas minhas porcarias, pelas minhas decisões, não me arrastem para decisões que não tomei; não posso ser cúmplice de porcarias que não são minhas.  Não consigo. Está na minha natureza.

É que eu não sei como os outros dormem, mas eu não durmo e preciso de dormir!

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P.

Motivos de força maior

Interrompo o silêncio com um apelo:

Por favor, parem de dar tempo de antena à m**** do DESPACITO. 

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A minha cabeça está num loop de despacito, constante, há semanas.

Para agravar,  a semana passada vi um meme onde em vez de despacito dizia “dez prás cinco” e pronto. Agora vou alternando entre des-pa-ci-to e dez-prás-cinco.


Aproveito a oportunidade para dizer que não emigrámos nem nos aconteceu nada, só mudámos de vida profissional as duas e têm sido meses muito intensos (principalmente para a P. que acho que não dorme 8h seguidas desde 2016).

Mas estamos decididas a voltar às lides do blog! Pinky promise.

J.

Gif daqui.

Apontamentos de Primavera #2

Pensei desabafar acerca do agradável tempo primaveril que se tem feito sentir nos últimos dias. Talvez reclamando que isto já não é o que era ou que no meu tempo, era diferente. Primavera a chover desta maneira, onde é que já se viu isto?!

Depois percebi que não, que já no ano passado me queixei do mesmo. Se calhar vou mesmo ter de esperar mais umas semanas para poder voltar às minhas Birkenstock. Suspiro.

Mas nem tudo está igual ao ano passado. Pelo menos, o chefe actual é MUITO melhor! 😀

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J.

Gif daqui.

Ginásio: 5 aprendizagens

Uma das vantagens de trabalhar no centro de Lisboa é a acessibilidade a tudo. Como ao ginásio, por exemplo. Mesmo ao lado do meu escritório há um ginásio. Mesmo coladinho.

Provavelmente se eu tivesse de atravessar a avenida, nunca lá teria entrado, mas é mesmo ao lado e, por isso, em Janeiro, não encontrando desculpas suficientes, decidi inscrever-me.

Nestes dois meses de experiência de ginásio aprendi algumas coisas que vão além do número de minutos a pedalar para gastar as calorias de um pacote de gomas.

 5 coisas que aprendi no ginásio

 

  1.  As mulheres dominam

Há milhões de mulheres no ginásio. Mas milhões. Eu nem sei como é que elas cabem todas ali.

No balneário parecem uma horda infindável de soldados, armados de cremes e escovas, preparados para batalhar por um secador de cabelo ou pedaço de espelho.

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  1. As aulas de grupo

Há aulas de Zumba (estas já conhecia), há aulas de Bunda (não fazia ideia que existisse), há aulas para pedalar até cair, há aulas que parecem uma discoteca com luzes e microfones, há aulas com fitas penduradas no tecto, há aulas de tudo e para tudo.

Quando subo para o ginásio e passo pela sala de aulas de grupo com música altíssima, luzes coloridas a piscar e a treinadora a gritar ao microfone. Sempre que espreito lá para dentro, sinto-me a fazer a expressão facial idêntica à de trincar um limão.

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  1. O código de vestuário a seguir

De que ninguém me avisou antecipadamente, claro! Primeiro dia de ginásio, e J. apresenta-se de leggins velhas, ténis desbotados e t-shirt larga.

E claro, que era a ÚNICA vestida assim. Todos os restantes utilizadores vão impecavelmente vestidos, com modelitos de licra, justos e coordenados, ténis fluorescentes, telemóvel e phones. Maquilhadas e penteadas.

Simplesmente, não percebo.

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  1. As malas de viagem

Nos primeiros dias, via algumas mulheres a chegar com malas de viagem e pensava “devem ser pessoas que vieram / vão de viagem”

Mas não são, claro. Percebi depois que as malas de viagem são só A mala do ginásio. E que há quem traga, literalmente, tudo.

Champôs, condicionadores, esponjas, cremes, placas alisadoras, secadores, maquilhagem, toalhas, garrafas de água, batidos, tudo dentro da mala…e a roupa para vestir depois, pendurada num cabide.

hhhhh

  1. A roupa interior

Após dois meses de convívio com este universo de mulheres, que são milhentas, concluo que sou a única que não veste cuecas tanga.

Sinto-me excluída.

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J.

Gifs daqui.