Torschlusspanik!

Confesso que depois de fazer 30 anos fiquei à espera de ser atingida por algo do género onda de choque que me atirasse violentamente contra o muro da realidade e me obrigasse a repensar as minhas opções.

Era a ideia que tinha pelo que ouvia dizer ou lia, era que um dia acordava e Bam! Teria a cabeça cheia de dúvidas existenciais, sentir-me-ia revoltada e/ou deprimida com a minha vida, com o meu corpo e etc… Mas não foi isso que aconteceu, não me sinto mais velha ou gasta, nem acordei um dia sem saber como é aqui cheguei. Assim, sem dar por isso, dei por mim aqui, com 30 e qualquer coisa e a pensar no que isso significa.

Como a P. disse, a dada altura todas as conversas incluem perguntas começadas por ”já”, afirmações com “devias” ou ambas. Qualquer que seja a resposta e tom com que se responde, é inevitável o ar de desaprovação/pena que se segue.

Mas porquê? Porque é que a minha vida tem de ser um flop porque ainda não tenho filhos, porque ainda não comprei uma casa, porque ainda não tenho um carro novo/de topo, porque ainda não tenho um plano?

Não tenho um plano, é verdade, mas hoje sei muito melhor o que me faz feliz do que há uns anos atrás. Sei que faz me feliz estar com as pessoas de quem gosto e vê-las rir, que sou feliz quando viajo, mesmo que seja a acampar no Montejunto e que sejam só dois dias, que sou feliz quando me descalço e sinto a relva fresca a fazer-me cócegas nos pés, que sou feliz quando mergulho na piscina e de repente todo o caos é abafado.

Não tenho um plano e por isso não penso no que ainda não fiz. Não tenho um plano e por isso não tenho uma meta a atingir. Não tenho um plano, nem quero ter.

Sentimo-nos presos às nossas opções e damos por nós a arrastá-las como âncoras em terra porque sim, porque fizemos tudo certo, porque é o esperado e era suposto fazer-nos felizes. Mas não faz. E agora?

Agora é o ponto da nossa vida em que temos mais tempo pela frente. A contagem é sempre decrescente e o tempo é implacável. Não há plano que o altere e acho que é por volta dos 30 que percebemos isso. Por muito que cumpras com o esperado, que te esforces, que vivas (ou não) a vida by the book, ela continua o seu curso e o tempo para agarrar oportunidades, mudar de opiniões/opções é sempre menor, o leque de possibilidades vai-se reduzindo e gera-se o pânico.cao

Demorei 30 anos a perceber que me sinto mais feliz no caminho do que à chegada. Não tenho um plano e vou continuar sem ter.

J.

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