Um conselho…

Uma coisa que, mais cedo ou mais tarde, todos acabamos por aprender é a  ter muito cuidado com os conselhos que recebemos. relativizar as guias de marcha que os outros nos dão quando chamados – ou não – a meter o bedelho nas nossas vidas.
Não é por mal, mas são muito raras as pessoas que. quando nos aconselham conseguem, efectivamente, colocar-se no nosso lugar (calçar os nossos sapatos, por assim dizer… ). E essas, geralmente, nunca nos dão um caminho concreto em resposta às nossas perguntas, optando por nos mostrar vários caminhos possíveis e as suas virtualidades e recusando sempre assumir o leme da nossa vida ( e mandar-nos fazer isto ou aquilo).
Mas maioria das pessoas, nossos amigos incluídos, vai pensar o que gostaria de fazer no nosso lugar e mandar-nos por esse caminho.

Na maioria das vezes dir-nos-ão para fazer coisas que os próprios não conseguiram ( ou não conseguem) aplicando à nossa vida, sem hesitar, princípios pelos quais não são capazes de se reger.
E não é por mal que o fazem e nem nos querem menos bem por isso. Na verdade, acredito é que os conselhos que nos dão têm muito mais a ver com os próprios do que connosco. Talvez seja uma forma de verificarem o que aconteceria se vivessem de acordo com o que apregoam. Talvez procurem cobaias antes de por em pratica os seus planos.
Por isso, às vezes, fico tão abismada com determinados conselhos que ouço, tantas vezes sem pedir.
Como aquele amigo que há anos detesta o trabalho em silêncio e todos os dias nos relata a sua intenção de emigrar para a China e nos diz ” despede-te” assim que contamos um problema com o nosso director. Ou aquela colega que foi mãe aos 40 constantemente a lembrar-nos que não devíamos ter filhos depois dos 35. Ou aquela amiga que não consegue libertar-se de uma relação que só a faz infeliz e que nos manda sair de casa quando desabafamos uma discussão.

Ouvimos logo um ” eu no teu lugar….”
É esse o perigo dos conselhos, de quem os recebe e de quem os dá: a falta de objectividade. A grande verdade por detrás de todos estes conselhos sempre tão peremptórios quanto contraditórios?

“Não vemos as coisas como são, vemos as coisas como somos.”  A determinada altura isso tornou-se óbvio para mim e depois de quase cometer um grande erro, aprendi a lição: não dês aos outros conselhos que não querias que te dessem a ti. Até sob pena de parecermos hipócritas aos olhos dos outros e pior : aos nossos.

Aconselhar as vidas dos outros é fácil, é tentador mesmo indicar o caminho, mais tentador ainda quando, também, estamos perdidos ( pelo menos conseguimos saber o melhor caminho para alguém…).

Mas quando me perdi, o melhor conselho que recebi, é o que dou hoje: “não te posso dizer o que deves fazer e nem preciso: tu sabes, tu tens essa resposta e só tu podes dá-la. Por isso, por favor, não procures nos outros mais do que pontos de referência. Se reparares toda a gente sabe como agiria no teu lugar, mas acha muito difícil sair dos seus próprios impasses.”
No fim de contas, é como se costuma dizer, se os conselhos fossem uma coisa assim tão boa, a gente vendia.

P.

*Fonte Imagem: http://mimiandeunice.com/

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