Ninguém é insubstituível ou somos todos descartáveis ?

Ninguém é insubstituível: uma das frases que mais ouço desde que comecei a trabalhar. Atira-se com ela à primeira oportunidade, como arma de arremesso.
Consigo viver com isso, embora não de ânimo leve.
Mas o principio da insubstituibilidade das pessoas nunca foi tão transversal como o vejo agora (ou talvez esteja mais atenta, nos últimos tempos…): pelo que vejo, ninguém é insubstituível, em lado nenhum. Seja no trabalho, em casa ou em qualquer papel que ocupe.

Velhos amigos trocam-se por novos quando estes não se adaptam às necessidades do momento, velhos amores substituem-se por borboletas instantâneas neste grande mercado livre em que se tornaram as relações humanas.
A isto, lamentavelmente, não me habituo e devo dizer, com alguma vergonha, que ainda me choca.
Repare-se, não estou a falar de fazer novos amigos ou novos amores, estou a falar de substituição ou troca pura de pessoas, como nos jogos de futebol. Sempre que me deparo com estas situações simulo um relato na minha cabeça: ” e agora para o lugar de amor da vida da Rita sai o Manuel e entra o Artur” ( e vê-se o Manuel a abandonar o campo cabisbaixo enquanto o Artur entra cheio de entusiasmo perante a ovação da claque).

No fundo, ninguém ser insubstituível leva-nos a uma verdade muito crua acerca das relações humanas e de nós próprios: somos todos descartáveis. Isto choca-me.

P.

Imagem: https://c1.staticflickr.com/9/8506/8495692983_cee80d46d2_z.jpg
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