Porque a Abstenção deveria ser um dos 7 Pecados Capitais

Os gráficos de sondagens estão à solta. E  o primeiro impulso é ver quem está na linha da frente, com uma percentagem mais simpática, numa luta pelo poder tão renhida como a que se avizinha nas próximas legislativas.

Esses números oscilantes não me prendem a atenção, quando comparados coma crescente e já constante taxa de abstenção. Uma nova sondagem da Aximage, de dia 8.9.2015, publicada no Jornal de Negócios, avançava uma nova subida da abstenção para os 36,2%.

Na mesma sondagem a previsão de votos “em branco ou nulos” fixa-se em cerca de 5%.

Isto choca-me.

Seja porque votar é um dever cívico, seja porque não podemos deixar que os outros tomem decisões por nós, seja porque todos somos responsáveis e todos devemos preocupar-nos, por muito descrentes que estejamos (ou sejamos).

O certo é que, de todas as vezes que há eleições se renovam os argumentos para apelar à importância e ao sentido do voto e, apesar disso, cada vez mais há mais abstenção.

Cada vez mais as pessoas se abstêm, nas eleições e na vida politica e social. Abstêm-se de falar, de tomar decisões, de fazer o que está certo, de mudar, de se zangarem, de tomarem partidos. As pessoas cada vez mais se resignam: “se nada vai mudar mesmo, então mais vale não me chatear”, ” o que é que eu vou lá fazer?”.

A abstenção é o voto seguro: “se as coisas piorarem, não tive culpa, não contribuí para isso, não votei.”

Parece-me que, ao contrário do voto nulo ou em branco, que é de protesto, a abstenção é o deixa andar, é o “já desisti disto”, é a personificação da resignação, a manifestação de uma descrença total e irreversível.

Como na vida, também nas eleições,  abstemo-nos porque achamos que o nosso “voto” não vai ter importância, abstemo-nos por falta de motivação, porque apesar de acreditarmos no que nos move e nos nossos valores, quando olhamos à nossa volta parece fizeram uma venda de garagem com tudo isso, e o esforço de sair de casa e ir votar parece inútil.

Mas, o que esquecemos, é que sempre que nos abstemos, perdemos uma oportunidade. Sempre que nos abstemos, concordamos com o que se decidir, com o que se disser, com o que se fizer e hipotecamos a nossa possibilidade de ter opinião, de ser contra, de participar.

A mim, choca-me o eventual aumento da taxa de abstenção nas próximas eleições, mas não me impressionaráTodos os dias, à minha volta, vejo pessoas que se abstêm da sua própria identidade, que “atiraram a toalha ao chão”, que se resignaram e quase olham de lado os que pedem o livro de reclamações.

A vitória indiscutível da abstenção traça um retrato demasiado triste deste país, resignado à sua sorte, como um barco à deriva. Porque, no fim de contas, a abstenção não ganha nada, nem conta para nada, no fim, na prática, é como se não existisse, não muda, não cria e nem destrói nada, tanto nas eleições, como na vida. 

P.

Imagem daqui

 

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