Tantas palavras e nenhuma serve de nada…

Tantas palavras. Um dicionário cheio delas e nenhuma é útil.

A F. saiu do escritório ontem um bocadinho antes de mim, despediu-se com o sorriso de sempre e um “até amanhã”.

O dia tinha sido igual a tantos outros, com piadas parvas e conversetas de ocasião. Ela não tinha como saber que ontem era o pior dia da vida dela. Dizem que nunca ninguém sabe.

A F. chegou a casa para saber que tinha perdido o pai… de uma hora para outra, sem aviso, sem nada, assim. Foi-lhe tirado, arrancado à bruta, como um roubo por esticão que nem se sabe de onde vem.

Não tenho palavras para a F., para a tragédia dela e dos dela. Só me parece tudo pequeno, tudo minúsculo e sem sentido.

Em todos os que lhe são próximos há um vazio no olhar, uma impotência que apenas este texto consegue explicar:

“POR QUEM OS SINOS DOBRAM

Nenhum homem é uma ILHA isolada;cada homem é uma partícula do coNTineNTE, uma parte da TERRa; se um torrão é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PRomoNTório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a TUA PRóPRIA; a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO. E por isso não perguntes por quem os SiNos dobram; eles dobram por TI.” ERNEST HEMINGWAY

Dedico-o à F., embora provavelmente, ela não vá ler este, e sabendo que, mesmo que leia, nunca servirá para nada. Porque há um dicionário cheio de palavras, mas nenhuma é útil…

P.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s