Nos 30 e desempregada: o diário (2)

Querido diário,

Tenho ido a algumas entrevistas. Umas foram melhores que outras mas começo a detectar padrões…

Só a ti é que posso dizer estas coisas, por isso gostava de partilhar  contigo como seria uma entrevista de selecção se eu pudesse dizer o que penso:

Entrevistador: Então diga-me, porque é que se candidatou?

J.: Um dia, estava deitada no sofá, sem nada para fazer, e aí pensei ‘vou-me a candidatar a x’. Por que é que há-de ter sido?! Se calhar porque quero trabalhar, já que não me dão só o dinheiro. Mas se dessem, por mim, nem precisava de vir.

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Entrevistador: O que é que acha que tem que os outros candidatos não têm?

J.: Nada, na verdade. Mas sinto-me confiante porque me parece que a decisão será tomada com base na impressão causada na entrevista e assim sendo tenho alguma esperança que os meus olhos verdes reflictam devidamente as mais valias que posso trazer para o cargo.

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Entrevistador: Como é que gere a sua vida pessoal vs a vida profissional?

J.: Ora, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Gosto de as ter bem separadas, não gosto de misturas está a perceber? Não planeio abdicar de uma em prol da outra, quero as duas. E ter tempo para um hobbie também, ir duas vezes por semana à piscina por exemplo.

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Entrevistador: Qual é a sua posição relativamente ao trabalho fora do horário?

J.: Depende, compreendo se houver necessidade mas se for sistemático ou só para inglês ver, sou contra. Por um lado, se há um volume de trabalho tal que requer uma pessoa 16h por dia então se calhar é trabalho para duas pessoas e não para uma. Por outro, se é só para ficar no escritório até tarde porque ‘parece bem’, para dar ar de muita dedicação e carga de trabalho, não conte comigo. Além do mais, nunca me pagaram as horas extra, por isso a expectativa que tenho é que aqui seja igual.

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Entrevistador: Pensa ter filhos num futuro próximo?

J.: Sim, pelo menos uns 6. Sei que já vou tarde mas mais vale tarde que nunca não é? Assim um de 18 em 18 meses era o ideal. Conto com o avultado salário,  excelentes condições e estabilidade que é usual oferecer-se em Portugal, não tenho com que me preocupar!

T4D_GE

J.

Gifs daqui.

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5 thoughts on “Nos 30 e desempregada: o diário (2)

  1. Miss IT

    A sério que perguntaram pelos filhos? Cada vez que um entrevistador pergunta isso, havia alguém de lhe perguntar se o motivo para a questão é por estar a planear estar presente no momento da concepção.

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  2. Por estas e por outras é que estou super condicionada.
    Se digo que ando em tratamentos de fertilidade nunca ninguém me vai contratar. Se minto, não consigo justificar as faltas sem acabar por dizer a verdade..
    E depois queixam-se da baixa taxa de natalidade no país..

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    1. janos30

      Pois…é triste ser preciso ter de ponderar estas respostas. Enfim, eu prefiro dizer a verdade, se não me quiserem contratar é porque é um sítio onde eu não gostaria de trabalhar e também não fico com pena.

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      1. Eu nem tenho mandado currículos para não ter de mentir.. Porque mesmo dizendo a verdade, além de não me contratarem ficava logo toda a gente a saber que ando em tratamentos e eu não quero que se saiba (para não haver aquelas coisas de “oh coitadinhos que não conseguem ter filhos” – não tenho paciência para ser “coitadinha”).
        Tenho esperanças que tudo corra bem no próximo tratamento e aí tudo muda 😀 hehehe

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