Coisas que só comigo # 7

Contexto: Vim passar uns dias ao Algarve com os meus pais, a minha irmã e o seu namorado (o marido H. teve que ficar a trabalhar).

Quarta-feira.

Chego à praia às oito e quase que sou “primeiras”. Afasto as gaivotas teimosas e monto o meu estaminé. Estou a ler o meu livro há cerca de 45 minutos quando uma família decide acampar a 20 cm de mim. Levanto os olhos e perscruto a praia. Não mais de 10 chapéus no total.

MAS PORQUE É QUE TÊM DE ESTAR EM CIMA DE MIM?! Soa gritado na minha cabeça mas na realidade só bufo e deito-me de barriga para baixo esforçando-me por mandar areia para cima da matriarca da família invasora.

O meu telemóvel faz plim. Deve ser o marido H. Fazemos 4 anos de casados, espero uma mensagem fofa, daquelas com coraçõezinhos e muitas vogais repetidas. Mas não. É um email. Uma notificação electrónica. Ai eu… Da AT. F***-**.

Já com a visão turva leio o texto e só consigo fixar o valor a pagar (é sempre um valor a pagar): 500 euros e qualquer coisa. Agora é que estou f*****. Chegam os meus pais e eu já a chorar baba, ranho e areia tento explicar. Desdramatizam, apontam que há-de ser um erro qualquer e etc. Opto por testar se a água salgada cura realmente tudo.

Almoçamos e vamos dar uma volta a Faro. Nunca fui a Faro, pode ser que me distraia. Passeámos, bebemos café, descobrimos que é feriado municipal, vimos aviões a aterrar e tirámos selfies. Quando o sol já ia baixinho decidimos ir embora e dirigimo-nos ao carro.

O meu pai põe o carro a trabalhar. Faz um ar azedo. Sai do carro, abre o capot, abana a cabeça, espreita por baixo do carro. Perdeu a água toda. Põe mais, liga o carro e confere que esguicha por todo o lado. F***-**.

Constando que o tubo roto não nos ia deixar sair dali decidimos procurar quem ajudasse. Perguntamos à senhora que tomava conta do wc público ali perto. Conhece alguém. Imediatamente liga: “Ó António, o Pedro está aí? E está muito bêbado? Não? Então ele que chegue aqui que estão aqui uns senhores que precisam de um mecânico”.

30 min depois entra de rompante na rua um carro vermelho, desbotado e decrépito. Saem dois homens, o mais baixo é o Pedro. Abeira-se do carro e depressa conclui que tem de levar o carro e insiste que tem de ser ele a conduzir. Ficamos apreensivos em deixá-lo levar o carro, optamos por ir todos com ele. Mas somos 5 e não cabemos todos. Dividimo-nos, homens no carro do amigo, mulheres com o mecânico.

Eu vou à frente, consigo perceber pelo hálito que o Pedro não está totalmente bêbado. Está só 50 ou 60%. Viagem infernal. Muita reclamação e advertências depois lá chegamos a um bairro residencial. Estacionado o carro, peço-lhe o número de telemóvel. Guardo o número e tiro-lhe uma foto sem ele dar conta. Isto tudo soa-me mal.

A dada altura passa-me o telemóvel para a mão para que eu adicione o número do meu pai à lista telefónica que ele não consegue. Guardo o número, saco-lhe o email e só tenho tempo para ver que a mulher é “esposa” no telemóvel. Pede dinheiro para comprar a peça. Mau maria.

Sem grandes opções lá lho demos. Indica que está pronto no final do dia seguinte. Fomos à procura de um táxi para 5 pessoas, em Faro, às 21h, em dia feriado. A central disse que ia chamar o colega mas já lá vão 30 minutos e nada. Passa um taxista simpático que nos salva e faz os 20 km até casa bem depressa.

Não sei se isto é mais digno de coisas que só comigo ou drama de quarta feira porque ainda não sei o desfecho. Optei pelo primeiro num esforço de me focar no lado cómico da situação. Sem grande convicção.

J.

 

 

 

 

 

 

 

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