10 anos de fim de curso: antes da reunião

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Com a aproximação do jantar comemorativo dos 10 anos de fim de curso, muitas coisas me vêm à cabeça, sendo a principal “já passaram 10 anos?

Há dez anos estava a acabar o meu curso, o curso que sempre quis tirar e a começar uma vida nova, a entrar num mundo que me era completamente desconhecido.

Dez anos. Uma década. Como é que 10 anos passaram, assim, tão depressa?

Quando penso neste jantar vêm-me à memória todos os filmes que já vi sobre o tema,  os reencontros e as reuniões de antigos alunos, onde cada um tenta mostrar que está melhor que o outro, onde se esperam resolver desavenças do passado e onde a nostalgia acaba por imperar além de tudo.

Será que este jantar se vai transformar numa feira de vaidades?

Do que falam hoje as pessoas com quem convivia diariamente há dez anos? As pessoas com quem me cruzava nos corredores, com quem partilhava apontamentos e com quem dividia as aulas e as ansiedades antes dos exames? Como estarão hoje essas pessoas, aquelas que deixei de ver, com quem bebia café nos intervalos e dançava nas festas?  Será que têm rugas? Que mudaram ao ponto de não as conhecer?

E eu? Será que eu mudei ao ponto de não me reconhecerem? Serei a mesma pessoa que eles conheceram há quinze anos e que deixaram de ver há dez?

Dez anos é muito tempo. É tempo para mudar muita coisa. Às vezes, quase me parece que as memórias que tenho desse tempo, não me pertencem, são de outra pessoa, de outra vida, não sei como explicar melhor isto…

Fiquei tentada a perspectivar estes últimos dez anos e isso assustou-me. Este reencontro mexe comigo. Não pelo reencontro em si, mas pela carga emocional da coisa. Traz-me as memórias mais fantásticas daquele tempo único e feliz, cheio de expectativas, de promessas, de sonhos e de festas pela noite fora. Traz-me as memórias dos cafés pela tarde fora na esplanada da faculdade, das conversas filosóficas até ao entardecer, das jogatanas de cartas, das noites de estudo até ao sol nascer e dos pequenos-almoços que se seguiam, da sede de aprender, de saber mais, num tempo em que tudo era possível. Traz-me memórias de uma pessoa diferente de mim…

Sim, dez anos mudaram-me. O que não é uma coisa má, não me interpretem mal. Foi inevitável.

Mudaram a minha forma de ver algumas coisas, mas não os meus olhos, percebem? Também tenho 2 ou 3 cabelos brancos e visto um n.º acima do que vestia. Sou mais paciente e já não me lembro da última directa que fiz (aliás, lembro-me, foi na minha despedida de solteira).Também já não passo tardes em esplanadas e já percebi que nem sempre tudo é possível e que, às vezes, aquilo que parecia ideal para nós não é.

Sim, provavelmente, estaremos todos diferentes, o tempo e a vida passou por todos. Uns emigraram, outros têm já 2 e 3 filhos, alguns já casaram duas vezes, há quem já tivesse mais de 5 empregos, quem trabalhe em áreas completamente diferentes e quem tenha mandado tudo às urtigas e decidisse viver um sonho. Dez anos são dez anos, parece, e é, muito tempo. Mas sempre que olho para a minha agenda e lá vejo apontado o Jantar, a primeira coisa que me vem à cabeça é como é que 10 anos passaram, assim, tão depressa?

P.

Imagem daqui

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