Há uma coisa que não muda

Não, as coisas nunca voltam a ser as mesmas e nós não voltamos a ser os mesmos. Há um dia, uma altura, em que isto se torna simplesmente evidente e em que o peso desta realidade se torna demasiado para que possamos continuar a ignorá-la…

Nós mudamos, tudo muda à nossa volta e nada volta a ser aquilo que foi. Nada a fazer!

Não, nós não voltamos a ser os mesmos desses dias em que víamos um potencial amigo em cada estranho,  os mesmos que acreditavam em toda a gente a toda a hora, que pensavam que todos os sonhos se podem realizar e que achavam que bastava querer muito para conseguir tudo…

Nós crescemos, demais. E nada é igual ao que era antes. Vimos, ouvimos e sabemos demais. E isso vê-se nas conversas pragmáticas e desapaixonadas, nos votos de vencido que fazemos todos os dias, mais por uma consciência tranquila que por acharmos que vai mudar alguma coisa.

É verdade, as coisas mudam, as pessoas também…

Nada é igual a antes de se ouvir um disparate, desfazer uma amizade, fazer uma asneira, ver um equívoco tornar-se demasiado grande para se ultrapassar, ter um sonho irremediavelmente desfeito, um desgosto demasiado pesado, uma confiança traída…

Nada é igual, porque todas as pequenas coisas que fazem os nossos dias mudam, o que  é e o que foi, o que fomos e o que somos.

E, por isto, os nossos lugares também não voltam a ser os mesmos, porque tudo se transforma. Sem se perder, é o que dizem…

Não são iguais ruas onde passámos, embora sejam as mesmas, nem são iguais as escolas onde estudámos ou as casas em que vivemos, nem sequer são iguais as caras das pessoas que conhecemos e que vemos nas fotografias que tirámos… não são os mesmos, os olhos que vêem hoje.

Mas há sempre algo que fica disso tudo, algo puro que cristalizou, como a fruta do bolo-rei que comíamos noutros Natais, daqueles que tinham o brinde e a fava e sabiam de outra maneira. De tudo isso, das ruas, das escolas, das casas e das caras, resta uma memória, uma história pequenina e intemporal que não cresce connosco, que ficou lá e que se afagares a lâmpada aparece como o génio só para realizar, por um bocadinho, aquele sonho mais escondido e infantil de voltar atrás…

Para seguir em frente!

P.

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Imagem daqui

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2 thoughts on “Há uma coisa que não muda

  1. Adorei o texto, muito! Quando mais nova, eu vislumbrava os meus trinta anos, sempre achei essa a idade mais perfeita da mulher. Hoje, com 25 anos, espero chegar lá realizando todos (ou a maioria) dos meus objetivos – e eu bem sei que não é fácil assim. É uma idade linda e não vejo a hora de tê-la.

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    1. Todas as idades são boas. Com os 30 vem muita pressão para muita coisa, mas a certa altura chega, também, a consciência que quem manda na nossa vida somos nós. Isso é bom. O mau tem é que percebemos que é muito difícil realizar os tais sonhos e objectivos que temos. Com os 30 tomamos um banho de realidade. 🙂

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